terça-feira, 5 de julho de 2016

Endometriose x Infertilidade: Cirurgia

Olá,
No último post escrevi sobre as opções de tratamento para as portadoras de endometriose que estão tentando engravidar. Como mencionei, quando há dificuldades para se conseguir a gestação de forma espontânea só existem duas alternativas: a cirurgia ou métodos de reprodução assistida, geralmente a fertilização in vitro.
Neste post vou falar um pouco sobre a  cirurgia, esclarecer os prós e contras desta opção.
A cirurgia para restabelecimento da fertilidade, em mulheres com endometriose, tem como objetivo principal eliminar todos, eu disse todos, implantes da doença. A dificuldade para engravidar decorre, também do processo inflamatório causado pela endometriose, então se for feita a cirurgia e persistirem implantes, seja no intestino ou qualquer outro local, a inflamação persistirá, portanto a infertilidade também! Então, quando vamos pensar nesta opção de tratamento, temos que ter em mente qual o porte do procedimento. Isto permite avaliar quais os riscos (principalmente se há doença intestinal), a recuperação pós-operatória, e qual a possibilidade de gestação após a cirurgia.
Para tanto, é fundamental um exame de imagem bem realizado, o que permite, ao médico, orientar a paciente, com detalhes, sobre o procedimento.
Outro exame de imagem fundamental é a histerossalpingografia. Este exame é o único que permite a avaliação das trompas, dando uma ideia da possibilidade de reversão dos danos causados pela doença. Se as trompas estiverem muito comprometidas, as chances de reversão do quadro com a cirurgia são menores.
Outro passo importante é sabermos a qualidade do sêmen do companheiro. É óbvio que se o sêmen não for compatível com uma gestação espontânea a cirurgia não trará nenhum benefício.
A idade da mulher também deve ser analisada. Quando operamos, estamos em busca do restabelecimento do potencial de gravidez espontânea.  Sabemos que um casal com potencial máximo pode levar até 12 meses para engravidar. Portanto, se a mulher já tem mais de 35 anos, devemos avaliar o benefício da cirurgia. Não adianta a cirurgia ser perfeita, se os ovários não estiverem com uma "reserva" boa, corremos o risco de nos deparar com uma infertilidade (após a cirurgia), não pela endometriose, mas sim pelo envelhecimento dos óvulos. Nestes casos, convém avaliar a "reserva" ovariana, e se baixa, pensar em fertilização in vitro, e não em cirurgia.
Nas mulheres que tem dor pélvica importante, cumpre salientar que a cirurgia é uma opção para tentar resolver os dois problemas ao mesmo tempo (infertilidade e dor), já que uma fertilização não ajudaria na dor, mesmo se houver gestação (gravidez não cura endometriose!).
Portanto o que o casal deve avaliar quando frente as duas opções é:

  1. idade do casal
  2. tipo de cirurgia que deve ser realizada
  3. qualidade das trompas
  4. qualidade do sêmen do companheiro
  5. reserva ovariana
  6. concomitância de dor pélvica

No próximo post vou descrever sobre os prós e contras da opção fertilização in vitro
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