terça-feira, 4 de setembro de 2018

Endometriose: tenho os sintomas mas, meus exames são normais! O que acontece?

Uma das perguntas mais frequentes que vemos circular na net é sobre sintomas típicos e exames normais!
"Tenho todos os sintomas, me identifiquei com as portadoras da doença porém, meus exames de sangue e imagem não mostram nada! Será que estou louca?"
Não! Você não esta inventando sintomas!
Alguns pontos devem ser esclarecidos: O exame de sangue mais conhecido, chamado CA 125, possui sensibilidade de cerca de apenas 40%. Isso significa que de 10 mulheres com endometriose, apenas 4 vão ter o exame alterado! Frente a isso, inúmeras Associações Européias e Americanas contraindicam a solicitação do exame! Nos da Sociedade Brasileira de Endometriose também não encorajamos o uso do CA 125 para diagnóstico!
E os exames de imagem???
A ultrassonografia endovaginal é muito ruim para identificar a endometriose chamada peritoneal. Já para os casos de cistos ovarianos de endometriose ela pode ser solicitada.
Já os exames especializados, ressonância magnética ou ultrassonografia especializada (com preparo intestinal) são bons para identificar doença já em estágios mais avançados! Isso, óbvio, quando são executadas por profissionais habilitados!
Outro ponto importante é que não, necessariamente, a quantidade de doença tem a ver com a intensidade dos sintomas. Ou seja você pode ter pouca endometriose e sentir fortes cólicas menstruais!
Portanto, se você tem sintomas típicos e exames normais, não quer dizer que não tenha endometriose. O que pode estar acontecendo é que você tem endometriose inicial e os exames não são capazes de detectar!
Estes casos merecem atenção para que a doença não evolua e você consiga se livrar das dores!
Uma boa consulta é melhor que qualquer exame! Converse com seu médico!

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Endometriose e o Mordomo: Nem sempre culpados!





Por atuar com endometriose há mais de duas décadas algumas coisas pude aprender com o tempo e, seria importante compartilhar com vocês.
O diagnóstico de endometriose, quando recebido, caso não seja bem explicado pelo médico, pode levar a alterações emocionais importantes. Alguns trabalhos na literatura médica já mostraram isso. Dentro deste contexto, a partir deste momento inúmeras portadoras começam a acreditar que qualquer dor/ou outro sintoma que aparece é devido ä doença. Isso acontece com muita frequência. E, parte da comunidade médica também tem sua parcela de culpa. Já tive pacientes que, tem endometriose, chegam a um pronto socorro com muitas dores. Quando falam para o médico que tem a doença, o mesmo começa a analgesia, e pronto! Só que em algumas o diagnóstico final foi de apendicite!
Em outros casos, a persistência da dor, mesmo após o correto tratamento da doença levanta a suspeita de que a endometriose não foi bem tratada, que não tem cura, as mulheres vão atrás de outras formas de tratamento por desacreditar nas medicações habituais e etc. Por vezes isso é verdade entretanto, hoje sabemos que diversas enfermidades podem coexistir com a endometriose, e podem ser culpadas pela persistência da dor mesmo após o tratamento correto.
Em estudo na UNIFESP observamos uma incidência 5x maior de síndrome do intestino irritável e obstipação crônica nas portadoras da endometriose. Em uma mulher que já foi operada por endometriose intestinal, os sintomas das duas doenças mencionadas se confundem com os da endometriose e, fazem acreditar que a doença voltou ou não foi tratada corretamente. Por vezes temos cirurgias indicadas de forma equivocada devido a isto.
Outra, eventual culpada, são as alterações miofasciais (músculos). Também em estudo da UNIFESP observamos maior incidência destas alterações nas portadoras de endometriose, principalmente em áreas que podem ocasionar dor na relação sexual. Já atendi pacientes com queixa de dor ao coito que haviam sido operadas, corretamente, da endometriose e que chegaram a mim questionando o procedimento do colega. Na verdade o que elas tinham eram espasmo de musculatura de assoalho pélvico que são facilmente tratadas por meio de fisioterapia específica!
Se você foi tatada de forma correta da endometriose e alguns sintomas persistem, pode ser endometriose? Pode sim mas, outras causas devem ser investigadas! Procure conversar com seu médico sobre outras possibilidades para a dor! Se colocarmos a culpa sempre no mordomo, vamos deixar de identificar outros suspeitos!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Gravidez cura a endometriose? Mito ou realidade?

Quem lida com pacientes com endometriose, com frequência, ouve este tipo de indagação.
E, infelizmente ouvimos muitas informações equivocadas.
Em primeiro lugar: Ter um filho não é prescrição médica, mas sim desejo da mulher/casal.
Do outro lado, há décadas que a comunidade científica que mexe com a doença já desmistificou esta afirmação.
Hoje, sabemos que a endometriose não involui após a gravidez.
Portanto, não devemos estimular uma gestação visando algum benefício no tratamento da endometriose!
Em gerações passadas, provavelmente a doença regredia após a gestação. Isso acontecia por que as mulheres tinham a primeira gravidez perto dos 20 anos. Nesta idade, quem tinha endometriose, provavelmente tinha a forma superficial, e os 9 meses de gestação, durante os quais, a mulher fica imundada de hormônios, fazia com que a doença regredisse (por isso a famosa frase: "cólica menstrual: quando casar/engravidar passa"). Atualmente, com a postergação da maternidade,, geralmente a doença já se encontra em estádios mais avançados, e os hormônios da gravidez não são suficientes para tratar a doença!
E, como toda a informação séria deve ser embasada em dados científicos, recentemente um grupo de médicos suíços reviu  todas as publicações referentes ao assunto e chegou a conclusão acima: Gravidez não cura a endometriose!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Endometriose X Vacina de Febre Amarela

Olá,
Venho assistido certa controvérsia acerca da vacinação contra a febre amarela em mulheres portadoras de endometriose.
A controvérsia gira em torno da contra-indicação da vacina para quem é imunodeprimido, ou seja tem baixa imunidade.
A confusão se deve a um mal entendido, existe teorias sobre a origem da doença que imputam ao sistema imunológico papel importante na formação da endometriose. Entretanto, esta alteração não tem relação com doença autoimune.
Doença autoimune acontece quando o sistema imunológico, de forma equivocada, fabrica anticorpos  que "agridem" tecidos ou órgãos da própria pessoa. Isto não acontece na endometriose! Pelo contrário, os estudiosos do sistema imunológico acreditam que há uma falha na vigilância imunológica que deixa de reconhecer que o endométrio está no local errado, e não consegue destruí-lo.
Portanto seria quase o oposto de doença autoimune.
Alguns trabalhos mostraram a associação de endometriose com algumas doenças autoimunes, como Lupus, tireodite dentre outras, mas isso não caracteriza a endometriose
como autoimune!
Portanto, as portadoras de endometriose podem tomar a vacina sem problema!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Endometriose em adolescentes

Por muitas décadas a endometriose foi conhecida como uma doença que acomete as mulheres perto dos 30 anos. De alguns anos para cá, a faixa etária de acometimento, vem mudando. Não sabemos se a causa foi um maior conhecimento sobre a doença e seu diagnóstico, se foi a mudança do estilo de vida das mulheres, ou se há algum fator ambiental envolvido, mas cada vez mais encontramos adolescentes com a doença.
Alguns artigos ilustram bem esse fato. Em revisão de todos os trabalhos sobre endometriose e adolescentes um grupo de autores mostrou que:
62% das adolescentes com dor vão ter o diagnóstico de endometriose.
70% das que não tiveram sucesso no tratamento da dor com medicações
E, o que mais chama a atenção é que cerca de 10% das adolescentes com endometriose vão apresentar os estágios mais avançados (endometriose profunda) quando do diagnóstico!
Como podemos, então, melhorar o diagnóstico nesta faixa etária?
Primeiro ponto: sabemos que a cólica menstrual é o principal sintoma da doença. Mas, em adolescentes o sintoma pode ser somente uma dor que não guarda relação com o ciclo menstrual! Óbvio que a cólica que não melhoram com as medicações habituais e a dor na relação sexual também podem estar presentes.
Sintomas intestinais, principalmente o aumento do número de evacuações, durante o fluxo menstrual também pode ser encontrado.
Em jovens com este perfil a investigação da endometriose, por meio de consulta ginecológica minuciosa, e talvez por meio de exames de imagem, deve ser feita!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Como diminuir a chance da endometriose voltar depois da cirurgia?

Bom, acaba de sair mais um artigo científico que reforça a necessidade de bloqueio da menstruação após a cirurgia.
Já são vários, e com diversos tipos de medicação.
Uma das perguntas que mais escuto no consultório, após indicar a cirurgia é: " doutor, tem risco da endometriose voltar?" Esse sem dúvida é o grande temor das portadoras, a doença voltar e ter que operar novamente!
Quando vamos olhar a literatura médica sobre este assunto (recidiva da doença) a única evidência disponível se refere ao uso de contraceptivos hormonais, ou progesterona, de preferência de forma contínua.
E agora, em estudo que avaliou mais de 100 mulheres operadas por endometriose, um grupo de Universidade do Japão mostrou a doença apareceu no ovário (endometrioma) em apenas 5% das mulheres que utilizaram dienogeste após a cirurgia. Já naquelas que ficaram sem medicação, a taxa foi de mais de 30%. Já, no que se refere a dor, 12% das que ficaram sem dienogeste referem retorno das dor, contra nenhuma das que usaram a medicação!
Apesar de haver, ainda, várias dúvidas sobre a origem da endometriose, é fato que a doença precisa de menstruação para acontecer. Portanto se após a cirurgia a mulher ficar menstruando por muito tempo, a chance da doença voltar aumenta!
Por esse fato, costumo indicar o bloqueio da menstruação em longo prazo, até que haja desejo de gestação, em todas mulheres operadas por endometriose!


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Endometriose e as pílulas anticoncepcionais

Há alguma controvérsia sobre qual o papel da pílula no tratamento, e também na prevenção de recorrência da endometriose. Vamos por partes:
1.A pílula previne o aparecimento da endometriose?
Na verdade, este é um fato que não temos como saber. Diversas mulheres com queixas sugestivas de endometriose começam a usar anticoncepcionais, e a cólica menstrual passa! Então não vamos conseguir definir, neste grupo de mulheres, se elas tinham endometriose e a pílula tratou, ou se não tinham a doença.
2. A pílula diminui a chance da doença avançar?
Acreditamos, que na maioria dos casos, sim! Acompanho inúmeras mulheres com diagnóstico de endometriose (clínico e radiológico), que começam a fazer tratamento medicamentosos com anticoncepcional, e melhoram dos sintomas. Os controles de imagem também mostram que a doença não evolui!
Entretanto, em um grupo de mulheres, após o início do uso de pílula, os sintomas desaparecem, mas a doença pode progredir! Então, caso você tenha recebido o diagnóstico de endometriose, começou a tomar contraceptivos (isso vale para o dienogeste, também) precisa de acompanhamento clínico e radiológico, específico para endometriose de tempo em tempo!
Já vi muitas jovens que acreditam que , se os sintomas melhoraram a doença esta sobre controle. Cuidado! Nestas situações, quando ela para a pílula para tentar engravidar, descobrimos que doença evoluiu!
Portanto, uma vez feito o diagnóstico de endometriose, o acompanhamento deve durar alguns anos, mesmo se não houver mais sintomas (dor)!
3. A pílula diminui o risco da endometriose voltar após a cirurgia?
Vários trabalhos mostram que sim! A causa da endometriose ainda não esta estabelecida, entretanto sabemos que a doença precisa de menstruação para acontecer. Portanto, quanto menos a mulher menstruar, menor a chance de voltar a sofre com as dores da endometriose.
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